O contador que simula a decisão de regime do Simples apenas para 2027 e 2028 está tomando uma decisão incompleta. A transição da Reforma Tributária Simples Nacional não é um período único: ela ocorre em duas fases de alíquotas, e o regime que vence na primeira pode perder na segunda.
A diferença entre os dois períodos não é semântica. É dinheiro deixando o caixa em uma fase e voltando em outra. Conhecer o desenho completo evita recomendar para o cliente uma mudança de regime que o beneficiará em 2027, mas o prejudicará em 2029.
Neste artigo você vai entender por que a transição da Reforma Tributária funciona em dois períodos, o que muda de um para o outro, e como apresentar essa visão ao cliente sem sobrecarregar a conversa.
Simular só um período
não é suficiente
A Calculadora Simples Nacional compara os dois períodos da transição, cliente a cliente
Transição da Reforma Tributária Simples Nacional: duas fases, dois cenários
A Lei Complementar nº 214/2025 desenhou a transição da Reforma não como uma mudança abrupta, mas como dois períodos de teste com alíquotas reduzidas, antes das alíquotas definitivas. É um escalonamento que começa em janeiro de 2027 e se encerra em dezembro de 2033.
O calendário é assim: a primeira fase vai de janeiro de 2027 a dezembro de 2028, e a segunda, de janeiro de 2029 a dezembro de 2033. Em cada fase, os impostos IBS e CBS usam percentuais diferentes. Depois que 2034 chegar, valem as alíquotas definitivas.
Por que duas fases? A ideia é simples: testar o sistema com carga reduzida e ajustar antes de subir ao máximo. Para a empresa, significa que o regime que lucra em 2027-2028 pode sair caro em 2029-2033.
Alíquotas da primeira fase: 2027-2028
Na primeira fase, o IBS e o CBS entram com percentuais menores do que serão definitivamente. A alíquota de referência usada nessa fase para fins de simulação é 27,91% (ainda provisória, conforme Resolução CGSN nº 186/2026), mas a LC 214/2025 autoriza os Estados a aplicarem alíquotas específicas do IBS dentro de um intervalo definido.
Para a empresa no Simples Nacional que opta pelo regime híbrido, a vantagem ou desvantagem em 2027-2028 depende de para quem ela vende. Se vende para empresas no regime regular que aproveitam crédito integral (venda B2B), o híbrido tende a vencer. O cliente do cliente que compra a nota consegue deduzir o IBS e a CBS da base tributária dele, o que beneficia a cadeia.
Se vende ao consumidor final ou a microempresas que não aproveitam crédito, o regime Simples por dentro (padrão, sem opção) sai mais barato, porque não há pressão de crédito não utilizado do comprador.
Alíquotas da segunda fase: 2029-2033
A segunda fase começa em 2029 e o desenho muda. Os percentuais do IBS e da CBS sobem em relação aos de 2027-2028. O intervalo de alíquotas estaduais do IBS se amplia, dando mais liberdade aos Estados para fixar percentuais próprios, e a avaliação da decisão muda.
Aqui está o ponto crítico: uma empresa que ficou no Simples híbrido porque lucrou em 2027-2028 pode se ver em apuros em 2029, quando a alíquota sobe. O fluxo de caixa que melhorou nos dois primeiros anos pode piorar nos cinco anos seguintes. Quem quer desistir do híbrido após janeiro de 2027 fica preso pelo menos até 30 de novembro de 2026 (prazo de cancelamento posterior).
A transição tem um prazo de revisão construído: quem optou em setembro de 2026 com efeito em 2027 pode cancelar até 30 de novembro de 2026, sem impacto no ano. Após isso, a próxima oportunidade de rever a decisão é em março de 2027, com efeito em julho de 2027 (meio de ano). A seguir, é preciso esperar a próxima janela, que só reabre em 2029, em sincronismo com a mudança de alíquotas da segunda fase.
Por que simular só um período engana
O erro mais comum é fazer a simulação de 2027-2028 e parar ali. O contador projeta: “nesse período, o cliente economiza R$ 15 mil ao ano no híbrido”. Vira recomendação. O cliente assina. Tudo bem em 2027 e 2028.
Quando 2029 chega, as alíquotas mudam, o cálculo muda, e a economia vira prejuízo. Agora o cliente paga mais no híbrido do que pagaria no Simples puro. E não pode voltar até a próxima janela, que não chega até meados de 2029 ou depois.
A recomendação responsável simulação as duas fases. Se o cliente lucra em 2027-2028 mas perde em 2029-2033, a decisão vira mais complexa. Pode ser que compense, pode ser que não, conforme o tamanho da operação e a volatilidade da receita. Mas esconder a segunda fase é negligência.
O efeito no fluxo de caixa: quando as contas mudam
Fluxo de caixa é o lado prático dessa discussão. Em 2027-2028, se o cliente está no Simples híbrido com margem positiva, o dinheiro que não sai para IBS e CBS fica mais tempo na conta. Isso financia compras, folha, investimento. É real.
Quando 2029 chega, se a alíquota subir e o híbrido ficar mais caro, o fluxo inverte: dinheiro que poderia estar na conta sai mais cedo para o governo. O cliente que aproveitou o ganho inicial para expandir e se endividou agora está apertado para pagar a diferença.
Essa volatilidade de fluxo entre as fases é o verdadeiro risco da transição, não a alíquota provisória de 2027. É por isso que conhecer o calendário de ambas as fases importa para uma recomendação que sobreviva aos próximos sete anos.
Como apresentar a transição ao cliente sem complicar
Não é preciso assustá-lo com o calendário inteiro. Mas é preciso ser honesto sobre o escopo. Quando você recomenda o regime híbrido para 2027, deixe claro: “Essa análise cobre 2027 e 2028. A partir de 2029, as alíquotas mudam e precisamos revisar. Você pode se arrepender e voltar até 30 de novembro de 2026, ou pode esperar revisão em março de 2027.”
Se simular as duas fases, leve os dois números ao cliente: “De 2027 a 2028 você economiza; de 2029 a 2033 você paga mais. No saldo de sete anos, fica assim. Decide você se compensa.” Não é preto e branco, mas é honesto.
Uma coisa não substitui a outra
A transição da Reforma Tributária não é só uma questão técnica de alíquota. É um exercício de visão de negócio. Você está ajudando o cliente a decidir um regime tributário que vai impactar sete anos de operação com duas mudanças de percentuais pelo caminho.
Simular bem significa olhar os dois períodos, entender onde o fluxo melhora e onde piora, e comunicar tudo isso em termos de caixa, não de imposto abstrato. O cliente entende fluxo. Ele entende risco. Ele pode não entender alíquota transitória, mas entende quando você diz: “Em dois anos você melhora, em cinco você piora”.
A Calculadora Simples Nacional foi desenhada exatamente para isso: trazer os dois períodos lado a lado na mesma simulação. Se você precisa fazer essa comparação para a sua carteira inteira antes de 30 de setembro, a Calculadora faz o cálculo cliente a cliente nas duas janelas e entrega o resumo pronto para você apresentar.
Se você é contador
Se você está lendo isso profissionalmente e não como dono de negócio, a Calculadora Simples Nacional resolve o peso de simular manualmente dezenas ou centenas de clientes nas duas fases. Ela compara Simples puro e híbrido, projeto para 2027-2028 e 2029-2033, mostra o break-even point e gera um resumo de uma página pronto para apresentar com a marca do seu escritório. White label, sem limite de clientes cadastrados.
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